Descobrir que está em um relacionamento abusivo é doloroso. Quando a agressão parte do namorado, muita gente se sente perdida, com medo ou até culpada. Mas a verdade é que ninguém merece sofrer nenhum tipo de violência. Se você está passando por isso ou conhece alguém que está, esse guia vai te mostrar passo a passo como denunciar agressão de namorado da maneira mais segura possível e com o respaldo da lei.
Entendendo o que é considerado agressão
Muita gente pensa que só é agressão quando há socos ou marcas visíveis no corpo, mas a violência pode aparecer de outras formas, como:
- Xingamentos frequentes
- Controle exagerado sobre o que você veste, faz ou com quem conversa
- Ameaças de morte ou exposição íntima
- Empurrões, apertões, puxões de cabelo
- Forçar relações sexuais mesmo sem o seu consentimento
Todos esses comportamentos se encaixam como formas de violência e são amparados pela Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), que protege a mulher de todo tipo de agressão, seja física, psicológica, moral, sexual ou patrimonial.
Primeiros passos para sair da situação de risco
Antes de denunciar, é fundamental pensar na sua segurança. Em muitos casos, a mulher tem medo de denunciar por estar sob ameaças constantes. Para minimizar os riscos, siga essas dicas:
- Converse com alguém de confiança
Pode ser um familiar, amigo ou vizinho. Ter alguém do seu lado ajuda muito. - Tenha um plano de fuga
Separe documentos pessoais, dinheiro, cartão do SUS e deixe uma bolsa com roupas essenciais em local acessível. - Salve provas da agressão
Prints de mensagens, áudios, vídeos, fotos de machucados e tudo que possa comprovar o que aconteceu. - Evite enfrentar o agressor sozinha
Tentar bater de frente pode gerar mais violência. Procure apoio antes de qualquer ação direta.
Como fazer a denúncia de forma segura
Denunciar é um direito seu e o Estado tem o dever de proteger. Veja os principais canais para isso:
1. Ligue para o 180
A Central de Atendimento à Mulher funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. É gratuita e a ligação pode ser anônima. Você recebe orientações, apoio e pode fazer a denúncia.
2. Vá até uma delegacia
Prefira as Delegacias da Mulher (DEAM), que têm equipe preparada para lidar com esse tipo de caso. Se não houver uma próxima da sua cidade, qualquer delegacia pode registrar a ocorrência.
Leve consigo todos os documentos que tiver, como identidade, CPF e provas da agressão (fotos, prints, vídeos).
3. Faça o boletim de ocorrência online
Em alguns estados brasileiros, é possível registrar a ocorrência pela internet. Acesse o site da Polícia Civil do seu estado e procure pela opção de “violência doméstica” ou “registro de ocorrência”.
4. Use o aplicativo “Direitos Humanos Brasil”
Disponível para Android e iOS, esse app do Ministério dos Direitos Humanos permite denúncias anônimas, inclusive com envio de fotos e localização.
O que acontece depois da denúncia?
Após o boletim de ocorrência, a polícia pode tomar medidas protetivas de urgência, como:
- Afastamento imediato do agressor
- Proibição de contato com você por qualquer meio
- Proteção da sua residência
- Suspensão da posse de armas de fogo do agressor
Essas medidas podem ser concedidas em até 48 horas, e o descumprimento delas é crime com pena de até dois anos de prisão, segundo o artigo 24-A da Lei Maria da Penha.
Onde buscar apoio psicológico e jurídico gratuito
Denunciar é só o primeiro passo. O processo pode ser cansativo e emocionalmente desgastante. Felizmente, existem serviços que oferecem suporte gratuito:
- CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social): Apoio psicológico e jurídico
- Defensoria Pública: Atendimento jurídico gratuito
- Ministério Público: Pode acompanhar o caso e garantir que seus direitos sejam respeitados
- ONGs e coletivos feministas: Muitas oferecem apoio emocional e orientação
Você pode localizar esses serviços no site Mapa do Acolhimento, uma rede de voluntárias que conecta mulheres a psicólogas e advogadas gratuitamente.
E se eu tiver medo de represálias?
Esse é um medo real. Muitas mulheres deixam de denunciar por temerem que o agressor descubra. Se esse é seu caso, siga essas orientações:
- Peça medida protetiva de urgência assim que denunciar
- Não divulgue que denunciou até estar em local seguro
- Procure abrigo em casas de acolhimento disponíveis em várias cidades
- Use um chip novo e redes sociais diferentes para manter a comunicação protegida
A Lei garante que você tenha proteção policial, acesso a casa-abrigo e prioridade em atendimentos sociais.
Se houver filhos no meio da relação
A situação se complica quando há filhos envolvidos. Mas é possível proteger a criança e manter a guarda com quem não oferece risco.
Segundo dados do IBGE (2021), 62% das mulheres vítimas de violência vivem com filhos menores de idade. Nesses casos, a Justiça pode conceder:
- Guarda exclusiva para a mãe
- Suspensão ou limitação do direito de visita
- Acompanhamento do Conselho Tutelar
A prioridade sempre será o bem-estar dos filhos.
Mitos que impedem muitas mulheres de denunciar
Alguns pensamentos fazem muitas mulheres continuarem sofrendo caladas. Vamos quebrar esses mitos:
- “Foi só uma vez, ele prometeu mudar”
Infelizmente, a maioria dos agressores repete o comportamento. O ciclo da violência tende a se repetir com maior intensidade. - “Tenho vergonha do que os outros vão pensar”
Você não tem culpa. Quem deve sentir vergonha é o agressor. - “Não tenho pra onde ir”
Existem casas de acolhimento que recebem mulheres e seus filhos com segurança, alimentação e atendimento psicológico. - “A polícia não vai fazer nada”
Denúncias bem documentadas e com provas têm alto índice de resposta. Além disso, o Brasil tem leis específicas para proteger a mulher.
Como prevenir futuras agressões
Depois de sair de um relacionamento abusivo, é importante buscar apoio para entender os sinais e evitar que isso se repita no futuro. Algumas dicas:
- Invista em terapia para fortalecer sua autoestima e reconhecer relacionamentos saudáveis
- Participe de grupos de apoio com outras mulheres que passaram por situações semelhantes









